domingo, 23 de março de 2014

FanDubs de Carros e Lucas, um intruso no formigueiro, por Antônio de Castro.

Olá meus queridos e queridas leitores!!!

Estou voltando com os post com as FanDubs feitas por vocês!!! o//

Hoje teremos duas FanDubs feitas pelo leitor Antônio de Castro. Ficaram bem legais.
E vocês o que acham??

Aqui está o Link pra quem quer ver no youtube:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=P4VGKAaw0js
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=hnX8DRoBkX8




Continuem mandado para nós as FanDubs de vocês, seria muito legal compartilhar com os outros amantes da Dublagem!!! :))

Vocês podem mandar o Link da sua FanDub para esse e-mail aqui:

universodadublagem@gmail.com 


Abraços e até a próxima!! o//

quarta-feira, 12 de março de 2014

300, Isso, não é Esparta, Isso é Atenas!!







300, A Ascensão do Império, chegou aos cinemas brasileiros nesse final de semana. O filme conta a história de Temístocles (Sullivan Stapleton), general ateniense que comandou a reduzida frota grega contra a armada persa, comandada por Artemísia (Eva Green). O ele traça um paralelo com o que aconteceu antes e durante os eventos do primeiro 300, e chega ao seu fim pouco depois da derrota de Leônidas. Começa com a rainha espartana, Gorgo (Lena Headey), contando os eventos da primeira Guerra Médica (Gregos vs. Persas), que foi comandada pelo Rei Dario. Ele mostra como a Batalha de Maratona ocorreu, e quais as consequências dela. Depois vemos como Xerxes (Rodrigo Santoro), antes humano, se torna o Deus-Rei. 
As diferenças que temos entre este filme e o seu antecessor são os pesos dos personagens nos dois filmes, que demonstra também a variedade entre as culturas que tinha entre os povos gregos. No primeiro, temos um rei espartano Leônidas (Gerard Butler). Os meninos nascido em Esparta, só têm um propósito: viver para se tornar um dos "super soldados". Já nos é apresentado, então, um estereótipo de personagem: machões, brutamontes, que só sabem lutar e matar. Gerard Butler tem discursos são fortes, estimulantes, que fazem seus soldados vibrarem e se sentirem honrados por morrerem ao seu lado.
No segundo filme, temos Temístocles, que não é rei, mas um grande general ateniense. Atenas, ao contrário de Esparta, era uma cidade de poetas, músicos, agricultores e filósofos. Temístocles comanda não "super" soldados, mas artesãos, ferreiros, poetisas, etc. Ou seja, há outro estereótipo de personagem: homens simples, que vivem tranquilos e mais interessados nas artes do que na guerra. Stapleton não consegue ter o mesmo peso que Butler no filme, além de ser um pouco prejudicado pelo roteiro com discursos vagos. Entretanto, é o suficiente para que os qualificados como não-soldados (o artesão, o poeta e etc) também levantem suas lanças e vibrem para defender seu "país", já que naquela época não existia uma Grécia unificada.          
Eva Green, apesar de ser a antagonista da história, é a grande estrela do filme e consegue roubar a cena toda vez que aparece. Só com o olhar, ela consegue demonstrar o ódio que tem aos gregos, e que, pra mim, é o suficiente para temê-la. Sua personalidade forte é capaz até de confrontar o próprio Xerxes. Não tem medo de nada, e mostra que não tolera incompetência. Por fim, temos Rodrigo Santoro, que aparece mais vezes do que no filme anterior, apesar de suas cenas não serem tão grandiosas.    
Acredito que as batalhas desse filme são o principal motivo pelo qual as pessoas vão assisti-lo. São, do começo ao fim, cobertas de sangue totalmente digital, assim como no primeiro filme, o que não compromete a "beleza" das cenas. Há efeitos de sangue "saltando" na lente; braços, pernas e cabeças decepados e a conhecida câmera lenta em cenas de luta com golpes bem trabalhados. Com certeza você não irá se decepcionar. xD
Outra diferença entre os dois filmes é a fotografia, que, no primeiro, era toda trabalhada no amarelo, uma cor quente que remetia ao local onde eles estavam lutando: as Termópilas, conhecidas como "os portões quentes". Já no segundo filme, a fotografia é voltada para o azul, uma cor fria e que remete ao mar, já que as batalhas que acontecem são nesse ambiente.
Resumindo, se você achar que o filme não é tão brutal quanto o primeiro, ou não tiver tantas frases de efeito inspiradoras, lembrem-se, o primeiro quem lutou foram espartanos, volto a repetir, homens que nasceram para matar. E o segundo, quem lutou foram de maioria ateniense,  ou seja, os comuns.

O filme foi dublado na Delart Estúdios, com a direção de Andrea Murucci e tradução de Mário Menezes. A direção da Andrea foi sensacional. Ela soube conduzir com maestria todos os dubladores, principalmente o protagonista e a antagonista do filme, feitos por Marcelo Garcia e Fernanda Baronne, respectivamente.
O que dizer da dubladora Fernanda interpretando Eva Green? Conseguiu passar todo o ódio que a personagem de Green tinha: desde os sussurros até as falas mais gritantes. Algumas vezes nem consegui associar aquela voz à Fernanda, por estar tão diferente da sua voz natural. Isso sim foi um belo trabalho de direção por parte da Andrea e uma grande interpretação por parte da Fernanda. Marcelo Garcia, que tem uma voz um pouco mais "branda", também fez uma voz diferente do que estamos acostumados a ouvir. É claro que o personagem pedia isso e ele conseguiu fazer de uma forma que não ficasse falso, e da mesma forma que aconteceu com a Fernanda, às vezes esquecia que era ele quem dublava de tão diferente que sua voz estava. Por último, mas não menos importante, tem a participação da Andrea, dublando a rainha Gorgo narrando o filme, e entre uma cena e outra fazendo sua participação. Nas cenas finais, demonstrou todo o ressentimento que a rainha tinha guardado depois da morte do marido. No mais, o resto do elenco foi muito bem escolhido, como todas as vozes, casando direitinho com cada personagem. Gostaria de parabenizar a todos pelo excelente trabalho!!!

Deixe seu comentário e diga o que você achou do filme e se você concorda ou não com o que eu disse!! o//




300: A Ascensão do Império - Warner Bros

Tradução: 
Mário Menezes
Direção de dublagem: Andrea Murucci
Técnicos de gravação: Léo Santos e Rodrigo Oliveira 
Edição: Henrique Caldas
Mixagem: Gustavo Andriewiski 

Xerxes: Rodrigo Santoro 
Temístocles: Marcelo Garcia
Artemísia: Fernanda Baronne 
Gorgo: Andrea Murucci 
Scyllias: Márcio Simões 
Ésquilo: Nando Lopes 
Calisto: Rodrigo Antas 
Ephialtes: Paulo Bernardo 
Dilios: Hercules Franco
Artaphernes: Reginaldo Primo 
Kashani: Luiz Carlos Persy 
Dario: Sérgio Fortuna 
Bandari: Bruno Rocha

Créditos de Dublagem: Delart Estúdios Cinematográficos

sábado, 11 de maio de 2013

FanDub - Mufasa e Simba. Por Denis Diesel e Vitor Dias

Aproveitando o Post aterior, vou compartilhar também outra FanDub que eu fiz com o meu grande Amigo, Denis Diesel.

Espero que gostem!!! :))
Aqui vai o Link pra ver no Youtube:



Continuem mandado para nós as FanDubs de vocês, seria muito legal compartilhar com os outros amantes da Dublagem!!! :))

Vocês podem mandar o Link da sua FanDub para esse e-mail aqui:

universodadublagem@gmail.com

FanDub - Death Note. Por Felipe Nascimento

Olááá amantes da Dublagem, como estão hoje??

Na nossa última postagem, pedimos para que vocês compartilhassem com a gente as fandublagem feitas por vocês!!! :))
Algumas pessoas mandaram, mas estamos esperando mais!!

Hoje iremos postar uma FanDub feita pelo Felipe Nascimento, do Anime Death Note. Espero que
curtam!!!
Aqui vai o link para quem quiser ver no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=i5R-MyEdfto&noredirect=1



Continuem mandado para nós as FanDubs de vocês, seria muito legal compartilhar com os outros amantes da Dublagem!!! :))

Vocês podem mandar o Link da sua FanDub para esse e-mail aqui:

universodadublagem@gmail.com




domingo, 21 de abril de 2013

FanDubs - Mostre seu talento. :D



Aqui vai o Link no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=stogy5dpyLI


Como vão caros leitores do Blog?

Eu sei que já faz um tempo que não posto nada aqui, mas são as coisas da vida e tudo mais. Mas aqui estou eu. Estou voltando com uma ideia bem legal e não sei porque nunca tinha pensado nela antes. Resolvi expor aqui as FasDubs dos leitores do Blog, claro que nem todos fazem, mas seria legal compartilhar com os Admiradores e Fãs de Dublagem suas experiências. Enquanto não tem nenhuma FanDub do fãs, vou colocando algumas que eu fiz só e outras com meu amigo Denis Diesel. Espero que gostem!! :D

Essa primeira é uma FanDub da Música "Se Preparem",  que o Scar canta, do Rei Leão.


Vocês podem mandar o Link da sua FanDub para esse e-mail aqui:

universodadublagem@gmail.com

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Origem dos Guardiões, basta acreditar.




No início do mês, estreou esse filme que se mostrou uma das grandes animações do ano de 2012 e que, pra mim, está pau a pau com Valente, da concorrente Pixar. O filme começa o "nascimento" de Jake Frost, aquele que é responsável por levar a neve e nevasca pelo mundo, e logo em seguida se passam 300 anos. Após esse tempo, um mal volta a assombrar a Terra, é o Breu, o Bicho Papão. Então os Guardiões, Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente e Sandman, se unem para poder deter o vilão. Porém, eles terão a ajuda de um novo Guardião que foi escolhi pelo o Homem da Lua, Jack Frost. 

O personagem Jack, passa as horas do seu dia, se divertindo com a neve e causando algumas pequenas confusões. Porém ele é se sentem frustrado por ninguém acreditar nele e assim não é visto pelos humanos, ao contrário dos outros Guardiões. Quando é chamado para ser um deles, Jack rejeita a proposta, por achar que não se encaixa. Noel tenta convencê-lo dizendo que ele precisa achar o cerne dele, ou seja, o que é que ele tem de mais importante dentro de si. Essa é a grande pegada do filme, mostrar o que temos de mais importante dentro de nós, o que nos faz ser o que somos e que está lá no nosso íntimo. Outra pegada interessante do filme, e é o que faz ele acontecer, é o fato das crianças acreditarem nessas figuras emblemáticas e dessa forma é que elas tem os seus poderes. O plano do Breu é justamente esse, fazer com que as crianças deixem de acreditar nos Guardiões e passem a ter pesadelos e sentir medo.
 
O filme tem uma história muito bem desenvolvida e consegue prender o espectador. Não podia deixar de faltar a parte engraçada, com os Yetis e Duendes do Papai Noel, eles realmente roubam a cena várias vezes. A parte da ação também não fica de fora. Durante o filme nos é apresentado versões não tão convencionais dessas criaturas fantásticas. Papai Noel é tatuado, luta com duas espadas e é bem ágil para a idade. O Coelhinho da Páscoa, não tem nada de coelhinho e sim de Coelhão, como é chamado carinhosamente pelos outros e ainda luta com bumerangues. Já a Fada do Dente é coberta por penas coloridas (vai entender) e é muito charmosa. E por último e o mais simpático dos quatro Sandman, um baixinho gordinho e dourado, responsável pelos nossos sonhos, pode se dizer que ele é o mais forte dentre eles. No filme ele não fala e para se comunicar ele faz desenhos com o seu pó do sono, o que o torna bem engraçado. 

Com o desenrolar da história, o espectador se envolve cada vez mais e se, deixar se levar pelas emoções, algumas lágrimas podem escorrer dos olhos de tão bonito que é a mensagem que o filme passa.  O filme não podia ser lançado em outra época se não no mês do Natal. Eu recomendo a todos que assistam, vale à pena!!! o//


Assim como todos os filmes da Dreamworks, A Origem dos Guardiões foi dublado nos estúdio da DoubleSound, Traduzido por André  e Dirigido por Marcelo Coutinho. No elenco de dublagem contamos com dois atores globais, sendo que um deles já passou pela dublagem, que é o ator Thiago Fragoso no papel de Jack Frost. Apesar de que a voz ficou um pouco velha pra um adolescente, ele se saiu muito bem como um bom ator que é e fez um execelente trabalho, assim como em Ratatouille. Temos também Isabelle Drummond, a eterna Emília e agora Empreguete, dublando a Fada do Dente e que venhamos e convenhamos, ficou um pouco estranho, não creio que combinou 100% a voz com a personagem. Já nos outros Guardiões temos, Alexandre Moreno como Coelho da Páscoa, e ele arrebentou na interpretação que deu a ele. Sérgio Fortuna como Papai Noel ficou ótimo, mas me pareceu que ao invés do conhecido Ho Ho Ho amistoso, tinhamos uma Ha Ha Ha, mais forte, pelo visto a risada teve que se adaptar ao novo "estilo" do Noel. E no vilão Breu, temos um dublador que mesmo com uma voz mansa e serena, pode ser um vilão terrível, Jorge Lucas que fez um trabalho exemplar!!!




As próximas entrevistas são: Angélica Santos, Priscila Conception, Mabel Cezar, Carla Pompilio, Fernanda Fernandes(Baronne), Marisa Leal, Raquel Marinho, Carmen Sheila, Philippe Maia, Marco Ribeiro, Marco Antônio Costa, Ricardo Juarez, Fábio Lucindo, Clécio Souto, Hermes Baroli, José Leonardo, Nelson Machado, Wellington Lima, Flávio Baack, Cláudio Galvan, Felipe Drummond (neto de Orlando Drummond), Marcelo Garcia, Luiz Laffey, Sílvio Navas, Carlinhos Silveira, Guilherme Briggs, Christiano Torreão, Ricardo Schnetzer, Duda Espinoza, Charles Emmanuel, Flávia Saddy e Mário Jorge!!!  Então aguardem!!! :D

domingo, 2 de dezembro de 2012

As Entrevistas estão de volta.... Márcio Simões!!!


Pessoal, antes da entrevista, queria muito agradecer a todos vocês por terem votado no Prêmio TopBlog desse Ano. Dessa vez o Blog Universo da Dublagem conseguiu ficar entre os 100 mais votados!!! Fiquei muito feliz e devo isso a todos os leitores do Blog!!! Obrigado mesmo!!! \o/
E agora, com vocês, Márcio Simões....


- Márcio, fale um pouco sobre você...
R.: Tenho cinquenta anos, dublo desde 1986, já trabalhei um bom tempo em rádio (Estácio FM, Rádio Roquete Pinto e Globo FM), sou músico e engenheiro civil, embora nunca tenha trabalhado com engenharia, pq, quando me formei, já estava dublando e trabalhando em rádio e percebi que era o que eu queria fazer.

- O que fez você entrar para o mundo da dublagem? Teve a influência de alguém??
R.: Quando eu trabalhava na rádio Estácio Fm, ouvi falar de um curso de dublagem na própria rádio, ministrado pelo falecido dublador Newton Da Matta (que dublava o Bruce Willis entre outros) e me interessei. Lembro que, na época, eu não teria como pagar o curso e minha avó se ofereceu pra pagar. Se hoje estou onde estou, agradeço a ela pela força que me deu e por ter me incentivado a fazer o que eu achava que tinha mais a ver comigo.

- Você lembra-se da sua primeira vez dublando? Lembra da sensação?
R.: Não lembro qual foi o primeiro filme que eu dublei, mas, na época, a gente dublava séries como ‘Magnum’, ‘He-Man’, ‘She-Ra’, ‘Transformers (desenho)’, entre outras e, como o Da Matta era diretor na Herbert Richers, ele começou a nos escalar nos filmes dele. Depois, fomos sendo conhecidos pelos outros diretores e, lentamente, fomos cavando nosso espaço. Naquela época era mais difícil um dublador novo ter uma chance de fazer um papel grande porque a renovação dos dubladores não acontecia sempre e os novos não eram aceitos tão facilmente, os antigos tinham medo de perder espaço. Claro que nas primeiras vezes em que eu dublei fiquei muito nervoso, a interpretação ficava comprometida pela preocupação em sincronizar, em mostrar um bom trabalho pra ganhar a confiança dos diretores etc.

- E das dublagens que você fez até agora, quais foram as que você mais gostou de dublar ou mais te marcaram?
R.: É óbvio que a que mais me marcou pela dificuldade de fazer várias imitações e personagens diferentes foi o Gênio do desenho Aladdin, principalmente porque na época, não tínhamos os recursos que temos hoje de gravação no computador, com vários canais à disposição; nós trabalhávamos em U-Matic ou, quando era pra cinema, em película, gravando o áudio em uma película magnética, onde só tínhamos dois canais disponíveis. Nas sequências em que ele fazia várias imitações seguidas, eu tinha que gravar sempre pulando uma pra dar tempo de mudar de personagem. Depois eu voltava e preenchia os que faltavam. Foi um trabalho cansativo, mas o resultado final agrada até hoje.

- E como foi sua seleção para fazer o Patolino e Frajola (que fazem parte do mesmo desenho), o Gênio, Stitch e tantos outros personagens famosos? Todos foram testes, certo? Ou teve algum que você foi convidado logo de cara?
R.: Todos foram testes, mas a escolha do Frajola e do Patolino foi muito interessante porque eu não estava escalado pra fazer os testes. A Warner, de tempos em tempos, faz testes pra todos os personagens de desenhos pra verificar se existem dubladores que façam melhor, ou se os dubladores atuais continuam fazendo os tipos da maneira que eles querem. Eu tinha ido fazer um conserto na Herbert Richers e já estava indo embora quando o diretor Mário Monjardim me viu e disse que ia me apresenta pra americana responsável pelos testes. Eu disse que não tinha sido escalado, mas ele disse que ia me apresentar mesmo assim. Comecei pelo teste do Frajola e a americana gostou muito; depois ela me perguntou se eu faria um teste pro Patolino também. Ela adorou e, a partir daí, eu comecei a dublar os dois até hoje. Interessante, né?

- E como foi dublar esses personagens que marcaram tanto na época e ainda estão guardados nas memórias de muitos, como eles? Patolino sempre querendo se dar bem em cima do Pernalonga. Frajola sempre querendo comer o Piu – Piu, o Gênio sempre atrapalhado nas suas mágicas e o Stitch aprontando todas. As pessoas reconhecem você na rua por causa deles?
R.: Eu sempre gostei muito de dublar e tento imprimir um pouco de mim nos personagens que eu faço. Eu agradeço a Deus sempre por estar numa profissão em que eu me divirto o dia inteiro, não consigo encarar como trabalho. Por isso, eu faço com gosto, e tento fazer de uma maneira profissional, mas, ao mesmo tempo, leve e descompromissada, como se eu estivesse batendo papo com os amigos. Deve ser por isso que eu consigo fazer uma interpretação mais natural. Já aconteceu várias vezes de as pessoas ouvirem minha voz e dizerem ‘Peraí, você não é o cara que faz a voz do Will Smith?’ ou ‘Eu conheço sua voz, você não é dublê?’. Aí eu tenho que explicar que sou ‘dublador’ e não ‘dublê’. Mas eu acho tudo muito legal e às vezes tiro foto com as pessoas.

- Como é pra você dublar tantos vilões de filmes e desenhos? Acha que é coincidência ou acha que seu timbre combina mais com eles?
R.: Sempre fui muito escalado pra fazervilões e negros em filmes e desenhos por causa do tom metálico e grave da minha voz e porque eu consigo ter um tom autoritário e enérgico que combina com bandidos e vilões.

- Qual o grau de responsabilidade que você acha que tem ao ser a voz “oficial” de grandes nomes do cinema como: Will Smith, Samuel L. Jackson, Danny Glover, Robin Williams, Morgan Freeman entre tantos e tantos outros?
R.: Acho que a responsabilidade é muito grande. Não faço distinção entre atores muito famosos e medianos. Dublo todos com a mesma responsabilidade, porque é um respeito com o trabalho dos atores

- Você chegou a dirigir algumas produções ou apenas dublou todos esses anos?
R.: Dirigi durante muitos anos em empresas como Herbert Richers, Delart, MgEstudios, Vti. Dirigi vários longas e séries, dentre elas Star TrekDeep Space Nine e Voyager. Na Nova Geração, como eu dublava o Capitão Picard, eu não dirigia.

- Muitas pessoas gostariam de saber qual o seu posicionamento sobre a troca que houve de Batman Begins para Batman, O Cavaleiro das Trevas. No primeiro Filme você dublou o ator Morgan Freeman e no segundo, dublou o ator HeathLedger. O que houve? Foi a Warner que pediu teste para o Coringa? O diretor que quis mudar? Poderia esclarecer essa dúvida?
R.: Na verdade, o diretor achou que, como era um papel muito difícil e o timbre de voz que ele usou pra compor o personagem era muito parecido com a minha voz, ele preferiu me tirar do Morgan Freeman e me escalar no HeathLedger. Eu lembro de ter questionado a escalação com ele pelo telefone dizendo que o ator era muito jovem, que minha voz não combinaria com ele, mas, quando ele me mostrou algumas cenas eu tive que concordar.


- Qual a sua preferência na hora de dublar, filmes, séries ou desenhos?
R.: Gosto mais de desenhos, mas não faço distinção na hora de dublar, todos são importantes. Na verdade, eu cuido da qualidade do meu trabalho e tento fazer com que combine com o personagem.
-
- Quando você está dublando tenta se aproximar do original ou às vezes você dá uma mudada pra ficar melhor?
R.: Antigamente nós tínhamos mais autonomia pra criar os tipos. Tartarugas Ninja, o próprio Gênio e muitos outros foram tipos que eu achei que iam combinar mais. Na época do He-Man o dublador Garcia Júnior colocou uma voz forte, que virou a marca registrada dele e, no entanto, a voz original é sem graça, sem força. Hoje, a exigência vem do cliente antes de nós dublarmos ‘a voz tem que ficar bem parecida com a original’, e não dá mais pra criar muito.

- Normalmente com quanto tempo de antecedência vocês têm para dublar um filme ou uma série completa?
R.: Pra dublar nós vemos o script quando estamos dentro do estúdio, ou seja, não recebemos nada com antecedência, principalmente os filmes que são lançamentos. As cópias que nós recebemos vêm todas protegidas, cheias de inscrições na tela pra evitar pirataria. O coringa eu dublei numa cópia sem músicas e efeitos, só com os diálogos e com a tela preta e um ‘buraco’ deixando aparecer o rosto do ator. Ficou ainda mais difícil de fazer.

Perguntas dos fãs:
- o Patolino fala cuspindo. Como é que ele faz para dublar o Patolino, ele realmente cospe no microfone?  – João Marcelo.
R.: Quase, João. Eu uso uma bala na boca pra mantê-la sempre úmida pra fazer as ‘cuspidas’. Por sorte nós dublamos sozinhos atualmente, mas, quando dublávamos juntos, as pessoas saíam de perto!!

- como um cara consegue fazer a voz do Samuel L. Jackson e do Patolino? - João Marcelo
R.: Eu tenho uma boa extensão de voz, eu canto também e sei usar o falsete, por isso consigo fazer o Patolino e tantos outros.

Eduardo Consolo Dos SantosComo foi para você ter que substituir o André Filho no papel do diretor Skinner nos Simpsons??
R.: Foi muita responsabilidade, já que ele era um ator maravilhoso, com uma interpretação que era uma aula pra todos nós.

.
Ivan LinaresCreio que ele já tenha dublado algumas produções orientais. Pergunta por favor, se ele, como outros dubladores, também vê diferença em trabalhar sobre um filme/desenho japonês ou chinês, e qual(is).

R.: Pra dublar eu qualquer língua não é imprescindível saber falar essa língua, a gente tem referências na imagem que ajudam a se localizar nas falas. O que atrapalha, às vezes, é a interpretação deles que, em alguns casos é muito exagerada, o que nos obriga a ouvir o original e tentar se abstrair pra falar como nós falamos aqui no Brasil. No caso dos desenhos japonese, a interpretação deles é mais exagerada, eles têm um jeito de falar mais forte, que é diferente do chinês. Mas, a gente se adapta e dá um jeito.

Daniel Simões: Márcio, quando eu tinha lá meus 5, 6 anos.. Sempre esbarrava com você na Estevão Silva no Méier, e como bom fã.. Ficava te enchendo pra você falar comigo como Donatello e tudo mais.
Além de xará de sobrenome, nossas famílias sempre conviveram por ali, e hoje, já com 28 resolvi que sendo ator o que amo e sempre tive paixão, foi à dublagem.
Sei que é difícil entrar no mercado, requer talento, dedicação e claro.. Sorte e contatos ajudam muito.
E hoje o mercado é outro completamente diferente de quando você começou.
A pergunta seria..: o que você pode dar de conselhos e dicas baseado na sua experiência própria naquela época e hoje, pra quem está começando e tem dificuldades pra conseguir sua brecha e oportunidade?
Abraço Márcio e graças a você eu sou apaixonado por dublagem, graças a você eu quis isso pra mim e você foi e continua sendo o ídolo e inspiração maior pra me fazer não desistir.
R.: Oi, Daniel. Realmente, quando eu comecei o mercado era muito diferente do que é hoje em dia, mas, em alguns aspectos, acho que melhorou. A concorrência naquela época era com os dubladores antigos, que já estavam acostumados com o faturamento deles e, como não havia muita renovação de vozes, eles não aceitavam muito bem os dubladores novos. Nós ralamos muito, eu só tive minha primeira chance de fazer um papel importante depois de cinco anos fazendo papéis secundários e vozerios e lutando pra ser conhecido e reconhecido como um dublador que tinha condição de fazer papéis melhores. Hoje está mais fácil, os dubladores novos são aceitos como novos colegas de trabalho e não como uma ameaça. Mas, de qualquer forma, vc ainda tem que ralar bastante pra conseguir um espaço, já que tem bastante gente nova dublando. Não tenha pressa. Não reclamo de ter demorado tanto pra conseguir um papel importante porque isso serviu pra eu ganhar mais experiência e apurar minha interpretação e minha técnica. Lembre-se, um passo de cada vez.
Heitor Romeu - Queria saber quantas horas tem o dia dele, pois ele está em absolutamente todas as produções dubladas no RJ!
R.: Heitor, nem tudo que agente dubla vai ao ar logo, às vezesfica meses na prateleira das emissoras. Quando elas exibem, muitas vezes calha de juntar alguns filmes que eu já dublei há um tempão e aí parece que eu estou dublando todos os filmes do Rio!! Quem dera!!!

Danilo Powers - Qual o Melhor Vilão que ele Já Interpretou?
R.: Acho que, sem querer desmerecer nenhum, o Coringa foi o melhor, pelo tipo que o HeathLedger criou, pela importância do filme em si e pelo trabalho que ele me deu.

Jivago Bicho -como era a rotina dele dublando Fucker&Sucker? Era o mesmo que um dia normal de dublagem?
R.: Oi, Jivago. Não era como um dia normal de dublagem porque a gente gravava na Globo, nos estúdios de sonorização (os mesmos em que a gente gravava TV Colosso) e era à noite, sem a pressão de horário de um estúdio de dublagem. Mais legais foram as vezes em que nós fizemos participações em alguns quadros que eles criaram pra gente, como os ‘dubladores do FuckerandSucker’. Foi bom por que foi engraçado gravar e porque os Cassetas são muito legais, muito alegres e agradáveis.

Nathan Martins Pergunta como ele faz pra "relembrar" todas as vozes que ele já fez. Ele tem algum arquivo de áudio como "backup das vozes"??
R.: Às vezes eu tenho dificuldade de lembrar de um tipo ou outro, mas, em geral, eu me lembro de todos, eu não tenho um arquivo de backup.

- Qual a sua opinião sobre a dublagem brasileira, que é considerada por muitos a melhor do mundo. Você acha que está no caminho certo ou tem que mudar alguma coisa??
R.: A dublagem brasileira é considerada no exterior, principalmente pelos distribuidores dos filmes, como uma das melhores do mundo. Mas, é claro que não é perfeita, sempre tem que melhorar em alguma coisa, assim como qualquer profissional tem sempre que almejar a perfeição e tentar alcançá-la, mesmo que nunca consiga.

- Muitas pessoas preferem o filme leg. ao dublado. O que você acha dessa aversão aos filmes dublados?
R.: Isso já foi uma realidade, mas hoje em dia isso mudou bastante porque temos uma oferta maior de filmes bem dublados, com uma preocupação maior com o respeito ao público que é o consumidor final do nosso trabalho. Nos cinemas encontramos mais filmes dublados e não só desenhos e animações infantis. O mercado adulto de dublados aumentou bastante. Os filmes em 3D legendados são difíceis de acompanhar (quem já assistiu tendo que ler as legendas em primeiro plano, sabe!!). Acho que essa mentalidade aos poucos está mudando.

- Qual a sua opinião sobre a restrição de determinados termos e palavras nas dublagens? Muitas pessoas reclamam muito disso também.
R.: São exigências de cada distribuidor que sabe o que é melhor pro seu público alvo.
- Outra coisa que reclamam muito é sobre a repetição de vozes, por que isso acontece?? Falta de profissionais competentes?

R.: Acho até que hoje isso mudou, porque, em alguns casos, não há a preocupação em se manter fielmente a voz do dublador ao ator que ele sempre dubla. O que comanda isso é o mercado. O que pode acontecer é uma coincidência de as emissoras exibirem filmes com os mesmos dubladores e dar a impressão de que são sempre os mesmos. Hoje a renovação das vozes é bem maior do que já foi e temos muito dubladores novos muito bons.
- Como está o mercado da dublagem atualmente? Está fraco ou está crescendo juntamente com o aumento de canais a cabo mudado para dublado?
R.: Há muitos anos, quando as emissoras de tv a cabo começaram a passar filmes dublados, isso influenciou o mercado, aumentando as possibilidades de trabalho pra categoria, mas, hoje em dia, isso não influencia tanto. Há, como sempre houve, altos e baixos, temporadas de bastante trabalho e outras mais fracas.

- E só para reforçar, quais as principais dicas pra quem um dia pretende ou sonha em seguir essa profissão maravilhosa?
R.: Perseverança. Nunca desista se é isso mesmo que vc quer. Momentos difíceis existem em qualquer profissão, mas, se vc tiver talento e for persistente, vai conseguir.

Bom, galerinha, essa foi a nossa, entrevista com o Grande Dublador Márcio Simões. Ele iria responder por áudio, mas por conta de problemas técnicos, ele resolveu mandar por escrito, mas prometeu que assim que ele tiver resolvido os problemas, ele irá mandar o áudio para eu postar aqui!!!

Obrigado e até a próxima!!! o/

  As próximas entrevistas são: Angélica Santos, Priscila Conception, Mabel Cezar, Carla Pompilio, Fernanda Fernandes(Baronne), Marisa Leal, Raquel Marinho, Carmen Sheila, Philippe Maia, Marco Ribeiro, Marco Antônio Costa, Ricardo Juarez, Fábio Lucindo, Clécio Souto, Hermes Baroli, José Leonardo, Nelson Machado, Wellington Lima, Flávio Baack, Cláudio Galvan, Felipe Drummond (neto de Orlando Drummond), Marcelo Garcia, Luiz Laffey, Sílvio Navas, Carlinhos Silveira, Guilherme Briggs, Christiano Torreão, Ricardo Schnetzer, Duda Espinoza, Charles Emmanuel, Flávia Saddy e Mário Jorge!!!  Então aguardem!!! :D